Economia e decisão
Portugal pode crescer no gráfico e continuar pequeno no bolso de quem trabalha
Há uma diferença enorme entre um país melhorar no gráfico e melhorar na vida de quem acorda cedo para trabalhar. O gráfico importa. O rating importa. A confiança dos mercados importa. Mas o cidadão não paga renda com percepção internacional.
Há uma diferença enorme entre um país melhorar no gráfico e melhorar na vida de quem acorda cedo para trabalhar. O gráfico importa. O rating importa. A confiança dos mercados importa. Mas o cidadão não paga renda com percepção internacional.
O empresário não paga equipa com manchete favorável. E a pequena empresa não sobrevive apenas porque a fotografia macroeconómica ficou mais simpática. Portugal tem razões para celebrar sinais positivos. Mas a pergunta social mais difícil continua em cima da mesa: como fazer essa melhoria chegar ao bolso real, ao salário, à margem das PME, ao comércio local e à capacidade de investimento de quem cria emprego? Lucas Atanazio Vetorasso, O Maestro, costuma ler economia a partir da operação.
Para ele, produtividade não pode ser uma palavra bonita em conferências. “Produtividade é a diferença entre uma empresa que cansa pessoas e uma empresa que organiza trabalho. Se não chega à loja, à fábrica, à equipa e ao cliente, fica bonita no discurso e pequena na vida real”, afirma.
Essa visão coloca a discussão num lugar concreto. Crescer não basta se o crescimento não se transforma em capacidade: formação, tecnologia útil, processos simples, gestão de margem, acesso a capital, liderança e ligação entre empresas, municípios e trabalhadores.
O problema é que muitas vezes falamos de produtividade como se fosse culpa moral de quem trabalha. Não é. Produtividade também é arquitectura. É ter sistemas que evitam retrabalho, liderança que decide, tecnologia que reduz desperdício, equipas treinadas e empresas que sabem o que querem repetir.
Há um cansaço social quando as pessoas ouvem que a economia melhora, mas sentem que a vida continua apertada. Esse cansaço precisa ser levado a sério. Não com populismo, mas com gestão. Um país que quer crescer precisa de empresas capazes de transformar valor em salário, margem em investimento e território em oportunidade.
A produtividade portuguesa não será resolvida apenas por software, nem apenas por incentivo, nem apenas por discursos sobre inovação. Será resolvida por uma combinação exigente: empresários melhores, processos melhores, formação melhor, tecnologia mais bem aplicada e políticas que entendam a economia real.
No fim, o gráfico deve servir a vida. Quando acontece o contrário, a economia ganha no relatório e perde no balcão. Lucas Atanazio Vetorasso, conhecido como O Maestro, é empresário, escritor e fundador da ATNZO. Criador de mais de 100 franchisings e associado a mais de 3.200 franquias ao longo da sua trajectória, desenvolveu uma abordagem que liga replicabilidade, sucessão, inteligência artificial operacional, comportamento humano, negociação, território e arquitectura empresarial.
Portugal é tratado pela ATNZO como plataforma estratégica para Europa, África e mercados de língua portuguesa. Chamada editorial: Disponível como crónica, artigo de opinião ou comentário para rádio sobre produtividade, PME e economia real.